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O ambiente detém uma importância fulcral na vida de todos os seres. Sobretudo no decurso dos últimos 150 anos, a degradação do espaço em que vivemos tem vindo a acentuar-se de forma exponencial: calcula-se que até 2080, por exemplo, cerca de 50% das espécies hoje existentes estejam extintas e que já não haja gelo permanente nos polos.
Se o processo é em, muitos casos, irreversível, podemos em todo caso tentar minorar o impacto deste profundo desequilíbrio a nível das suas implicações na saúde humana, no quadro de uma política de saúde integrada. E é esse, parece-nos, um dos grandes desafios da sociedade contemporânea.

O Ayurveda tem, aqui também, uma visão abrangente, confirmada e comprovada no tempo, e um amplo leque de soluções que podemos facilmente concretizar no quotidiano.

A ciência védica que estuda o meio ambiente e a sua relação com o indivíduo, denomina-se Vastu Sastra. Este ensina-nos que devemos atentar cuidadosamente na alimentação, limpeza e manutenção do fluxo de energia do nosso corpo; mas não só… para o Vastu, essa dinâmica de equilíbrio deve estender-se ao local onde vivemos, à casa que habitamos, ao nosso jardim, ao cuidado com a saúde e organização das plantas. Nesta perspectiva, a casa e o terreno onde ela se situa são vistos também como “seres vivos”. E é nesta mesma ótica que podemos contemplar a “grande casa “ que é o nosso planeta. Assim, urge perguntarmo-nos: como posso eu cuidar do meio ambiente com igual empenho ao que coloco no cuidado do meu próprio corpo? A resposta está na lógica de não-separação ilustrada pelo Vastu, herança antiquíssima inscrita na grande tradição védica.

O princípio do Vastu Sastra é que os corpos e ambientes são constituídos pelos mesmos elementos básicos, portanto, existe uma ligação muito subtil entre o corpo e o local em que vive ou trabalha.

Os 5 elementos do Vastu Sastra:

Akasha – espaço ou vácuo – atitudes espirituais e intelectuais.
Vayu – ar ou elementos gasosos – movimento
Agni – fogo ou energia – energia, temperatura, calor
Jala – água ou líquidos – repouso, tranquilidade
Bhumi – terra ou sólidos

Tal como o Yoga trabalha o prana no nosso corpo, melhorando o estado de saúde, também o Vastu identifica a vitalidade própria a cada “ambiente”, trabalhando com o prana nesses espaços para que os possamos habitar com mais saúde e harmonia. Na verdade, o que o Yoga e o Ayurveda fazem é centrar-se no indivíduo e na sua interação com o meio que o envolve; já o Vastu concentra-se no meio ambiente e no impacto deste no indivíduo.

Quando falamos em meio ambiente num sentido mais lato, incluímos nele corpo, mente e emoções. É nesta unicidade que assenta pois a lógica da não-separação: cuidamos do ambiente da mesma forma que atentamos no equilíbrio do nosso corpo, dos nossos pensamentos, das nossas emoções, numa constante e inevitável relação causa/efeito entre nós e tudo o que nos rodeia – pessoas, animais, objetos… Ou seja, cuidamos de nós para cuidar do meio; cuidamos do meio para cuidarmos de nós.

A palavra Yoga, tanto na Bhagavad Gita como no Yoga Sutra, remete para a definição do caminho que se trilha, a via do autoconhecimento, e simultaneamente para o objetivo derradeiro dessa demanda. O estado é o reconhecimento da união com o Todo; o caminho é o conjunto de instrumentos a que recorremos para efetivar esse reconhecimento. O Yoga é pois a “proposta” de um estilo de vida cujo primado é o equilíbrio do indivíduo e o reconhecimento claro da sua natureza plena. O Yoga é Hatha Yoga, sim; porém, amplia a prática num momento específico da jornada diária, um momento de consciência de corpo e mente, para uma consciência “em todos os momentos”, e em todas as nossas interações.

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