Foot Spa – Ictioterapia
FOOT SPA – ICTIOTERAPIA
5 Outubro, 2019

Não há dúvida que um corpo bem nutrido sempre foi uma mais valia, mas hoje, mais do que nunca, os benefícios de uma nutrição equilibrada podem fazer toda a diferença.

No momento em que vivemos uma Pandemia, em que a transmissão do SARS-cov-2 é uma constante preocupação à escala global, deixar-vos-ei com algumas dicas que podem, eventualmente, ajudar-nos a reforçar o nosso sistema imunitário.

Como já todos sabem, o melhor remédio é a prevenção e isso consiste em termos os cuidados de higiene necessários, sempre que possível ficar por casa e caso não possamos ficar, termos cuidados redobrados (a DGS e a OMS disponibilizam os cuidados a ter para prevenir o contágio). Porém, existem alguns cuidados alimentares que podemos adotar, por forma a reforçar o nosso sistema imunitário. Estas medidas não vão, como é obvio, evitar que fiquemos infetados, mas sim, que o nosso corpo possa dar uma melhor resposta caso isso aconteça.

A primeira recomendação consiste em lavar bem os alimentos, em água corrente e desinfetar os mesmos (poderá utilizar vinagre na proporção de 1medida para 2 de água ou lixivia na proporção de 1colher de sopa para 1L de água). Não só estamos a reduzir a probabilidade de contágio por parte do SARS-cov-2, como a probabilidade de ser infetados por outros vírus, bactérias ou parasitas que podem surgir como oportunistas em caso de sistemas imunitários mais débeis.

O ideal será consumir os alimentos o mais frescos possível, mas tendo em conta a loucura em que andam os nossos supermercados/mercearias tenho a consciência que nem sempre isto é possível. Não deixem de consumir frutas e legumes, estes têm minerais importantíssimos que nos ajudam a manter nutridos e consequentemente a ter uma melhor resposta imunitária. Tendo em conta que o objetivo é sair o menos possível de casa e os frescos são alimentos perecíveis, a minha sugestão consiste em comprarem alguns frescos (até porque os congelados desaparecem rapidamente dos super/hipermercados) para os primeiros dias em casa mantendo os alimentos no frigorífico e outra leva para congelarem em casa (evitem os legumes enlatados, pois perdem grande maioria das suas propriedades). Legumes crucíferos (couve-flor, brócolos, etc.) devem ser escaldados antes de se proceder ao congelamento. Assim que chegarem a casa com os frescos, desprezem todas as embalagens e sacos, desinfetem os alimentos e guardem-nos no frio ou escaldem e congelem.

Em época de “falta” de carne e peixe (que na verdade é apenas falta de tempo para os repor devido á grande afluência/procura) as leguminosas podem ser uma excelente opção; ricas em minerais, proteínas e fibras sem dúvida que serão uma mais valia e um aliado no reforço do nosso sistema imunitário. Não necessitamos, porém, de levar todos os enlatados de grão, feijão, ervilhas das prateleiras. Sejamos criteriosos na contabilização das nossas necessidades. Deixo vos ainda com a recomendação de recorrerem ás leguminosas secas, pois podem ser igualmente guardadas, com longo tempo de conservação e basta demolhar as mesmas e cozinhar bem para obter o mesmo efeito que as enlatadas (sejamos socialmente conscientes e deixemos os enlatados para médicos, outros profissionais de saúde e forças militares, que terão muito menos tempo que a restante população para preparar alimentos).

Algumas correntes teóricas têm recomendado evitar alimentos frios, uma vez que o vírus tem à partida, menos chance de propagar através dos alimentos se estes forem cozinhados. Aqui entramos numa dualidade, pois as vitaminas são termolábeis, acabando por ser destruídas a temperaturas elevadas. Sendo as vitaminas uma fonte importantíssima no reforço do nosso sistema imunitário e sendo que para corrermos menos risco de contaminação os alimentos devem ser todos cozinhados (incluindo frutas e legumes) teremos de arranjar uma solução prática e viável para garantir que suprimos as nossas necessidades de vitaminas diárias e que damos o “boost” necessário ao nosso organismo para que este aumente a sua resposta imunitária. Assim sendo, neste preciso momento em que vivemos e nesta situação em concreto recorrer à suplementação vitamínica é uma opção viável e uma boa escolha. Não pretendo fazer aqui qualquer tipo de publicidade a suplementos, existe uma grande variedade dos mesmos e podem se aconselhar com o vosso farmacêutico (procurem, preferencialmente, farmácias que façam entregas, por forma evitarem saídas/contactos desnecessárias/os) mas tenham em conta um multivitamínico completo que tenha em conta o vosso género e faixa etária.

É igualmente meu objetivo deixar vos exemplos mais específicos de alimentos que possamos ter na dispensa nesta fase, menos perecíveis e que podem ser uma mais valia para o aumento do nosso sistema imunitário, por isso aqui vai:

Abóbora – É rica em nutrientes e um poderoso antioxidante, além disso dura imenso tempo sem se estragar. Pode, tal como a batata, ser utilizada de múltiplas formas e até as sementes podem ser aproveitadas, basta secar ao sol ou desidratar no forno e temos umas belas pipas para um snack diferente e nutritivo.

Alho – É um superalimento, com excelentes propriedades antibacterianas. Pode ser um grande aliado na prevenção das infeções oportunistas.

Atum – Embora seja apologista de dar preferência os frescos ter atum em lata de reserva, neste caso específico, pode ser uma mais valia. O consumo deste alimento consegue garantir um bom aporte proteico que também é necessário para que o nosso sistema imunitário funcione corretamente e sempre será preferível ao consumo de alimentos pré-cozinhados.

Aveia – Este cereal é indispensável nas nossas despensas. Riquíssimo em fibra e nutrientes, além de ser um aliado ao nosso sistema imunitário, vai ajudar a regular o trânsito intestinal. Pode ser utilizado sob variadíssimas formas, como cereal de pequeno-almoço e até sob a forma de farinha numas deliciosas panquecas ao lanche.

Bananas – São uma excelente fonte de energia e tem uma boa durabilidade. Deve-se lavar a casca das bananas antes de as guardar na fruteira. Uma boa forma de as conservar, para que durem mais tempo, será envolver um guardanapo de papel no caule das bananas e guardar as mesmas dentro de um armário de cozinha (longe da luz e humidade). Embora se deva ter algum cuidado com os alimentos frios, se as bananas ficarem muito maduras podem sempre congelar e utilizar para fazer batidos nutritivos.

Batata doce – Alimento que confere energia (que também é necessária), pode ser utilizada sob variadíssimas formas e tem uma alta durabilidade, sendo este fator excelente para a época em que vivemos.

Citrinos – Ricos em vitamina C, estes se muito bem lavados e desinfetados, podem ser consumidos em cru ou sob a forma de sumo. Utilize limão para fazer chás, laranjas e toranjas em sumo. Pode iniciar o dia com 1 peça de fruta cítrica, esta vai ajudar a ativar o seu metabolismo bem como ajudará ao transito intestinal, que nesta altura de maior sedentarismo é normal ficar desregulado.

Couscous de espelta – Ricos em energia e fibra podem, tal como a quinoa, ser uma alternativa ao arroz e ás massas comuns.

Frutos secos – Embora estes alimentos sejam altamente calóricos, são igualmente ricos em vitaminas e minerais. Devem ser consumidos com moderação, mas podem ser um excelente aliado do sistema imunitário. Estes, podem ainda ser utilizados para fazer “manteigas” vegetais (i.e; cremes vegetais) basta ter um robô de cozinha ou um liquidificador potente. Por isso, quando o stock de manteigas acabar nas prateleiras dos hipermercados (esperemos que reine o bom senso e isso não aconteça) esta pode ser uma boa solução.

Gengibre e curcuma – Potentíssimos antibacterianos irão ajudar no combate a infeções oportunistas. Podem e devem ser utilizados, com moderação, em estados gripais. Deve-se dar preferência ao gengibre seco podendo este ser utilizado em chás ou para temperar.

Mel e própolis – São potentíssimos anticéticos naturais, podem eventualmente atuar como medida preventiva, no contágio de agentes oportunistas. O mel deve sempre ser usado com precaução devido ao seu elevado conteúdo em açúcares simples e nunca oferecido a crianças com menos de 1 ano de idade.

Quinoa – É um alimento riquíssimo em nutrientes e por isso mesmo um aliado para o sistema imunitários. Com a falta de massas e arroz nas prateleiras dos supermercados, esta é sem dúvida uma boa opção para os substituir.

Enquanto cidadã e nutricionista venho apelar ao bom senso de todos vós, façam listas dos alimentos que necessitam, bem como, das quantidades necessárias para vós e para a vossa família. Optem, se tiverem essa disponibilidade, por recorrer ás compras online. Existem não só supermercados e hipermercados com esta funcionalidade, mas também pequenos produtores hortícolas, talhantes, entre outros que podem e devem ser uma opção. Acima de tudo mantenham se seguros e cumpram as normas de segurança lançadas pela DGS e pela Organização Mundial de Saúde.

Vamos todos ficar bem por si, por nós e por todos!

Dra Dione Gaspar
Nutricionista

 

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